NOTA SOBRE OS MEIOS E OS FINS

Nota sobre os meios e os fins:

Portugal ainda é um país com escassa formação neste sector, pública ou privada, e a importância de tal formação é notória perante a densidade do património a diferentes níveis: catalogação, referenciação de prioridades interventivas, criação de estatutos técnicos, históricos e culturais, em volta do que sobra para cuidar e acautelar a idade da Nação e da sua longa intervenção no mundo, incluindo o papel que lhe cabe na União Europeia.

sexta-feira, 15 de abril de 2011

CONSERVAÇÃO E RESTAURO DE UMA PINTURA RENASCENTISTA


fig.1 pintura a óleo s/ tela, escola espanhola, séc. XVII (estado actual)

FICHA TÉCNICA

1. Designação

Pintura (renascentista) a óleo sobre tela, representando os apóstolos Pedro e Paulo. Ornamentada por uma sumptuosa moldura em talha dourada a ouro fino brunido. Circa 1600.

 
2. Diagnóstico/estado de conservação 

fig.2 (antes)
Uma camada de verniz antigo e muito espesso cobre integralmente a pintura. Vestígios de restauros de repintura no panejamento dos apóstolos são perceptíveis, Alguns pedaços de tinta quebrada salientam-se no canto superior direito da tela, resultantes da acção do craquelê. O método de douramento, brunido, originalmente utilizado na moldura, tem um aspecto fosco e enegrecido, derivando da exposição a fumos e gorduras (eventualmente de uma lareira ou outros) a que esteve sujeito. A moldura apresenta ainda ligeiras faltas na talha dourada.



3. Acção do restauro/intervenção

3.1.  Exame de raio-X á pintura
3.2.  Remoção do verniz
3.3Limpeza/remoção de partículas de sujidade na pintura
3.4Tratamento anti-fungíco na área da tela sob a tinta quebrada
3.5.  Solidificação/fixação da tinta quebrada na pintura
3.6Preenchimento de fissuras na pintura
3.7Repintes sobre o preenchimento das fissuras
3.8.  Limpeza da moldura
3.9Reconstituição das faltas de talha
          3.10.  Aplicação de folha de ouro sobre a talha restaurada
          3.11.  Aplicação de verniz protector na pintura


COMPARATIVO


fig.3 (antes)
fig.4 (depois)

quinta-feira, 7 de abril de 2011

CONSERVAÇÃO E RESTAURO DE UM PRESÉPIO BARROCO



fig.1 presépio (estado actual)



FICHA TÉCNICA


1. Designação

Presépio em barro, guardado no interior de "maquineta". Trabalho português, ao gosto de "Machado de Castro". Estrutura exterior em madeira de castanho, com 3 secções envidraçadas (2 laterais + 1 frontal), policromada (marmoreado azul e branco) e ornamentada por talha dourada a folha de ouro fino brunido. Interior constituído por um grupo de 38 figuras em barro representando a "Natividade". Portugal, (Reinado de D. José I) C.1750.


2. Diagnóstico/estado de conservação

A estrutura exterior ("maquineta") do presépio está repintada por uma tinta de esmalte castanho-escuro, nitidamente posterior à época da sua construção. A tinta, além de recente, foi grosseiramente aplicada originando, por isso, algumas bolsas de ar (bolhas) em certas áreas. Estas bolsas quebram-se ao mínimo toque revelando, assim, pormenores da pintura original que, por sua vez, se apresenta num razoável estado de conservação apenas pontuado por falhas ligeiras. O ouro original aplicado sobre a talha é quase inexistente, estando localizado em pequenas áreas com largos intervalos entre si. Um segmento de talha, na parte superior esquerda, está descolado e as portas indicam alguma debilidade quanto ao processo de abertura. Os vidros são de origem. O seu interior, incluindo a composição do presépio (figuras em barro, pintura de cenário, etc.), está em excelente estado de conservação.


fig.2 presépio (durante)








fig.4 pormenor de florão central (durante)
fig.3 pormenor de florão lateral (durante)














3. Acção do restauro/intervenção

3.1. Remoção da tinta de esmalte castanho
3.2. Fixação da policromia original
3.3. Reconsolidação da estrutura das portas
3.4. Colocação/solidificação do segmento de talha
3.5. Repintura das áreas de policromia inexistente
3.6. Aplicação de folha de ouro fino na talha
3.7. Acabamento a cera e goma laca




COMPARATIVO


fig.6 presépio (fase final)









fig.5 presépio (durante)


fig.7 pormenor do florão central (depois)

quarta-feira, 6 de abril de 2011

CONSERVAÇÃO E RESTAURO DE UM PAR DE ESCULTURAS DE ARTE SACRA (SERAFINS)


 fig.1 par de esculturas (estado actual)




FICHA TÉCNICA
1. Designação

Par de esculturas em madeira de castanho, barrocas, representando serafins. Portugal, século XVIII.


2. Diagnóstico/estado de conservação

Uma camada de verniz espesso e negro cobre integralmente as esculturas. Existem certas faltas, perceptíveis a olho nu, sobretudo na zona dos membros. Estas faltas têm maior incidência em uma das esculturas, ao revelar uma antiga intervenção: um dos braços foi reesculpido (refeito), bem como alguns dedos dos pés e mãos. A outra escultura apresenta-se em melhor estado de conservação, pontuando meras fragmentações na zona dos dedos de uma mão e numa madeixa de cabelo.
fig.2 par de esculturas (antes)

3. Acção do restauro/intervenção

3.1. Remoção/decapagem do verniz negro e espesso
3.2. Desinfestação curativa e preventiva de insectos xilófagos
3.3. Retoques com uma infusão de tom mel nas áreas reesculpidas
3.4. Fixação/solidificação de um dedo da mão
3.5. Acabamento a cera



COMPARATIVO



fig.3 esculturas (antes)
fig.4 esculturas (depois)










CONSERVAÇÃO E RESTAURO DE UMA ESCULTURA DE ARTE SACRA

 
fig.1 escultura de Nª Sª c/ o Menino, Flamenga, séc. XVI



FICHA TÉCNICA


1. Designação

Escultura em madeira de nogueira, policromada e dourada, representando a Virgem Maria  coroada e com o Jesus Menino ao colo. Escola Flamenga. Circa de 1500.


 2. Diagnóstico/estado de conservação 


fig.2 escultura (antes)
    
    
    A escultura apresenta acentuadas falhas de carnação no rosto e nas mãos da Virgem e quase integralmente no corpo do Menino; a pintura original do manto está repintada com duas camadas cromáticas muito espessas detom azul; as áreas douradas a ouro fino apresentam-se também bastante degradadas e a base da escultura, embora de feitura posterior, está em bom estado de conservação. 
   
   
fig.3 pormenor do rosto da escultura (antes)
   
    O facto de os olhos existentes nos dois elementos da escultura serem feitos de vidro, revela uma intervenção feita posteriormente à época de origem.

3. acção do restauro/intervenção

     3.1. Desinfestação curativa e preventiva de insectos xilófagos
     3.2. Extracção dos olhos de vidro e sua substituição
     3.3  Aplicação de um aparelho sobre as falhas na encarnação
     3.4. Repintura das superfícies onde a encarnação era inexistente
     3.5. Repintura dos olhos substituídos
     3.6. Decapagem das duas camadas cromáticas que cobriam o manto original
     3.7. Fixação/solidificação da pintura original do manto
     3.8. Preenchimento e reintegração de lacunas/fissuras no manto
     3.9. Aplicação da folha de ouro fino
     3.10. Acabamento a cera
 

 COMPARATIVO


fig.4 escultura (antes)
fig.5 escultura (depois)
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fig.6 escultura (fase final)



fig.7 escultura (fase final)

terça-feira, 5 de abril de 2011

CONSERVAÇÃO E RESTAURO DE UM RELÓGIO DE "CAIXA-ALTA"

fig.1 Relógio de caixa-alta, século XIX (estado actual)


FICHA TÉCNICA

1. Designação

Relógio de caixa-alta, português, fabricado em madeira de pinho policromada. Máquina de fabrico inglês: marca UNDERWOOD. Pintado a azul-turquesa e decorado com motivos vegetalistas dourados a ouro fino. Lacado. Século XIX.


2. Diagnóstico/estado de conservação

fig.2 relógio (antes)



A superfície da caixa do relógio encontra-se repintada com uma camada cromática negra e a respectiva decoração original é ocultada por esta. A superfície de madeira referente aos pés da caixa evidencia sinais de xilofagia, o que provocou a deterioração de uma área considerável. 





fig.3 mostrador (antes)



A máquina do relógio mantém-se em bom estado de conservação. O seu mecanismo, embora esteja completo, não funciona. O mostrador, pêndulo e pesos estão oxidados, mas de acção normal em elementos fabricados em metal, fenómeno decorrente da falta de manuseamento.


3. Acção do restauro/intervenção

3.1. Desinfestação curativa e preventiva de insectos xilófagos
3.2. Decapagem da camada cromática negra
3.3. Limpeza da superfície cromática original
3.4. Substituição de um pé degradado
3.5. Reconstituição parcial do desenho decorativo
3.6. Repintes na superfície de uma das partes laterais
3.7. Aplicação da folha de ouro fino no desenho decorativo
3.8. Limpeza do mostrador, pêndulo e pesos
3.9. Acabamento a goma laca


    COMPARATIVO



fig.3 (antes)
fig.3 (depois)